Placas de Armadilhas Luminosas para captura de insetos voadores – Monitoramento

Conforme solicitações recorrentes, consultamos várias indústrias alimentícias e somamos observações de pelo menos 25 anos de nosso trânsito nas empresas entre assessorias / auditorias Food Safety, e temos a compartilhar / registrar no assunto:

Linha-Adesiva-LateralO monitoramento de infestação das placas adesivas das armadilhas luminosas é nas grandes indústrias alimentícias medido através de padrões criados caso a caso, geralmente empregando uma escala de três níveis . Alto, médio e baixo. Essa escala é desenvolvida através dos meses, usando as placas reais retiradas de aparelhos em uso. É um gabarito que sugerimos em tamanho retangular em escala 1:1 da placa original.

Já houve caso de prestadora de serviços que chegando a um consenso interno dessa escala de 3 (ou 4) níveis, fez uma redução das placas, imprimiu cópias plastificadas e fixou-as nos aparelhos. Dificulta um pouco a leitura e interpretação, mas é factível.

São gerados padrões impressos ou até fotográficos, numa escala crescente de ‘pontilhamentos’ ou de imagens reais mais carreadas da gama de insetos capturados / colados

Ou deixa-se tempo de exposição maior ou menor para a definição do que seria aceitável em consenso com os técnicos internos da empresa, ou até mesmo se mantém um período fixo de um mês ou uma quinzena (conforme o nível de infestação das áreas!) e daí se selecionam as placas ‘padrão’ e nesse caso escolhem os meses de verão ou inverno que se caracterizam pela temperatura ambiente maior / menor ou mais ou menos chuvas, ou áreas externas / internas.

São gerados padrões impressos ou até fotográficos, numa escala crescente de ‘pontilhamentos’ ou de imagens reais mais carreadas da gama de insetos capturados / colados. Pesagem da placa não é recurso eficaz pois algumas colas são higroscópicas e o aumento de peso incorpora absorção. Da mesma forma evaporação no verão ou captura de voadores mais pesados (besouros mais ‘densos’) altera a comparação. Outro aspecto também levantado pelo Departamento de Engenharia da PestLine é a desidratação pela lâmpada UV, que também agregaria variações.

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Óbvio que a presença de um inseto só teoricamente já indica anomalia no sistema de vedação, isolamento, mas cada área tem um valor de risco maior ou menor conforme o próprio HACCP define como setor de manipulação – perigo de falha grave na presença de um inseto ou resíduo, ou setor auxiliar – perigo menor, sem tanta significância.

Estabelecer um padrão fixo é temerário, pois cada região, cada fábrica, cada época do ano varia, inclusive com variância do tipo de inseto presente na época específica. Clima e sazonalidade de reprodução / dispersão das espécies voadoras interferirá assim como a própria eficiência dos praguicidas eventualmente aplicados.

No manejo integrado de pragas em lavouras existem levantamentos até estatísticos para monitoramento das espécies a tratar, mas são modelos de mapeamento / amostragem entomológica, não aplicáveis aos níveis mínimos que se espera num estabelecimento alimentício ou área sensível como farmacêutica ou de cosméticos.

A presença de mais de 10 moscas adultas num espaço de 0,5 m2 já é indício para início de trabalhos de pulverização ou ações contingenciais, em áreas externas de usinas de açúcar.

De indústria para indústria seria difícil chegar a um consenso único, eventualmente um grupo com vários sites até eventualmente poderia estabelecer uma escala, ou até padrão fotográfico, mas a correspondência com valores de aceitação / rejeição de outra empresa seria difícil de oficializar.

Entomologicamente existem modelos matemáticos para amostragem e avaliação populacional, mas também aplicados a trabalhos científicos e de campo.

O emprego de uma placa adesiva quadriculada em centímetros pode ajudar na mensuração e se for o caso até considerar em % os quadriculados de 1 cm quadrado com inseto capturado ou não, porém a fragmentação do animal ou até tamanho significativo interferem nessa medida de ‘percentual de infestação’.

É preferível e aceitável um só besouro cascudo ou o mesmo bicho pode estar pulverizado em dezenas de partes e aí se tornar risco. Quanto mais partes ‘desmembradas’, maior facilidade de contaminação?

A placa adesiva quando centimetrada é recurso que dentro dos planos HACCP permite um bom registro e evidenciamento objetivo dos trabalhos ligados a Controle Integrado de Pragas

A placa adesiva quando centimetrada é recurso que dentro dos planos HACCP permite um bom registro e evidenciamento objetivo dos trabalhos ligados a Controle Integrado de Pragas. Um protocolo de inspeção e validação desse monitoramento é factível de ser feito, cada empresa criando e padronizando seu POP. Em termos de legislação federal, a própria RDC 275 contempla a necessidade do POP específico para CIP, mas não detalha em absoluto esse nível de detalhe. Normas da AIB americanas tidas como das melhores nessa área também não chegam ao patamar desse detalhe, importante. Nesse aspecto a placa adesiva quando centimetrada (quadriculada) facilita a gestão / interpretação dos níveis infestantes.

Óbvio que o ideal é o mínimo, zero infestação será raro. E de novo reforçamos que as variáveis de clima, região, estação do ano, e tipo de praga dificultarão chegar a um padrão.

Facilita a contagem das partes dos insetos e ajuda numa checagem quantitativa, considerando-se os quadrículos com fragmentos. Dessa contagem se chega por regra de três simples numa porcentagem que pode ajudar no indicador de captura.

Tem sido frequente aprofundamento desse nível de monitoramento na área de produtos de origem animal: frigoríficos e laticínios, questionando os níveis de checagem de infestação face a alta presença de dípteros. Tal situação impacta no HACCP, no que tange ao GMP parte Controle de Pragas – Monitoramento e Planos de Ação.

Cabe registro que normativas internacionais ISO 22.000, BRC (Global Standard for Food), FSSC 22.000, GFSI (Global Food Safety Initiative) GlabalGAP, IFS, GMA Safe, etc., contemplam o Controle de Pragas como item mandatório – obrigatório, tendo alta relevância na prevenção de perigos físicos biológicos e químicos e riscos por consequência. É tendência em áreas sensíveis como processo de alimentos, fármacos, embalagens e cosméticos o emprego cada vez maior de armadilhas, em detrimento do recurso químico.

Recomendação final seria a criação pela prestadora de serviços, de um padrão específico para esse cliente, gerando uma escala a ser definida conforme as espécies da região, contemplando um período de testes, guarda das placas por não menos de 6 meses (Copersucar demandava +- um ano, e cada uma das 22 unidades industriais tinha perfil diferente, próprio, susceptível ao sucesso do 5S / GMP, limpezas, investimentos de estanqueidade / isolação, etc.

Referências:

Food Protection and Flyng Insect Control
NPCA Pest Management 1998 Nashville

Aspectos bioecológicos e manejo populacional de moscas associadas aos resíduos da indústria do açúcar e álcool
Cadernos Copersucar Série Melhoramento nº 26 Centro de Tecnologia Copersucar , 1989

Controle de moscas em usinas de açúcar e/ou álcool
Ciba – Geigy Química AS Divisão saúde Animal

Pest Control Operations Truman’s Scientific guide
Purdue University Gary Bennett, John Owens, Robert Corrigan, Indiana1982

Las Plagas de la Salud Pública
Brenda Junin, Argentina 1998

Complete Guide to Pest Control With and Without Chemicals
George W. Ware Arizona 1980

Manejo Integrado de Pragas, UNESP Cetesb 4. Monitoramento e decisão no Controle de Pragas – Sinval Silveira Neto
Wilson B. Crocomo, 1990

Prof. José Carlos Giordano
Prof. José Carlos Giordano
JCG Assessoria em Higiene e Qualidade
Consultor em Food Safety
www.jcgassessoria.com.br

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